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As Pequenas Tragédias de Marcelo de Melo

Pequenas doses dos trabalhos de Marcelo de Melo já puderam ser apreciadas em varias partes do mundo anteriormente: nas edições do Premio Picassiette de 2002, 2004 e 2006; na SAMA International de 2002, 2003 e 2004; e até no Japão. Seu trabalho é singular no mundo musivo, sempre intrigando os expectadores e instigando um questionamento maior sobre a posição do mosaico na arte contemporânea internacional. Brasileiro, radicado na Europa desde 1996, Marcelo desenvolve um diálogo próprio com técnicas musivas numa tentativa de estimular o espectador a idéias que vão além dos parâmetros físicos da obra.

Marcelo de Melo

Sua pesquisa concentra-se no campo da tridimensionalidade e aborda tanto temas sobre a materialidade do mosaico em si quanto a assuntos polêmicos e atuais, que será o foco deste texto. Sua visita recente ao Brasil com workshops e palestras em várias cidades faz com que revisitemos ideias chave em sua produção.
Em seu trabalho intitulado 2001, inspirado no clássico cinematográfico de mesmo nome, Marcelo lida com a ideia do poder da humanidade, tecnologia e efemeridade. O uso de porcelana inglesa conhecida com ‘bone china’ – cuja composição traz pequenas quantidades de ossos animais moídos – para a criação de um fêmur fragmentado revela um jogo engenhoso que justapõe a materialidade do trabalho a lingüística. Uma tendência que pode ser observada em muitas de suas obras.

Marcelo de Melo: 2001, no ano de 2001. Porcelana ‘bone china’, plástico, gesso, argamassa e rejunte, 31 x 9 x 6 cm.

Além de apresentar a questão da materialidade explorada na obra 2001, Rosa Hereditária [2003], também feita de ‘bone china’, lida diretamente com conseqüências de guerras e sobrevivência. Aqui, mais especificamente, com os efeitos da bomba atômica lançada em Hiroshima no final da segunda guerra. Selecionada para a 142ª Exposição Anual do Instituto Real de Belas Artes de Glasgow, Escócia, em 2003, esta obra ganhou notoriedade e acabou por ser exibida em Tóquio, Japão, na Galeria MotoAzabu em 2004 e fotografada no Parque da Paz em Hiroshima no mesmo ano. Rosa Hereditária foi inspirada pela música Rosa de Hiroshima imortalizada na voz de Ney Matogrosso.

Marcelo de Melo, Rosa Hereditária, 2003. Porcelana ‘bone china’, pastilhas de vidro, máscara cirúrgica, parafusos, isopor, papel, uma rosa natural vermelha, argamassa e rejunte, 45 x 23 x 24 cm.

Influenciado por uma visita ao Vietnã no final de 2002 e protestos contra a invasão do Iraque em 2003, Marcelo produziu uma série de pequenos trabalhos intitulada Presentes Americanos [American Gifts], na qual manipula a técnica ‘picassiete’ com grande efeito. São obras que contrastam o naїf e o conceitual, o ingênuo e o destrutivo, e que lidam com o imediatismo das ideias, conceitos e preconceitos. Um desses trabalhos [Granadas, 2005] foi exposto ironicamente no Forte de Copacabana no Rio de Janeiro em 2009 durante o evento Rio Mosaico.

Marcelo de Melo, Presentes Americanos: Missil, 2003. Cerâmica, porcelana, gesso, arame, argamassa e rejunte, 62 x 15 x 15 cm.

Marcelo de Melo. Presentes Americanos: Bombas e Granada, 2003.Cerâmica, porcelana, gesso, arame, argamassa e rejunte, 23 x 10 x 11 cm, 21 x 10 x 10 cm e 11 x 7 x 7 cm.

War series e bomba. Detalhes do trabalho Presentes Americanos: Bombas e Granada.

Marcelo de Melo. Mais Presentes Americanos: Granadas, 2005. Cerâmica, porcelana, gesso, arame, metal, argamassa e rejunte, c. de  14 x 10 x 9 cm cada.

Como conseqüência dessa pequena série musiva, Marcelo produz um trabalho que mais uma vez evidencia seu interesse na materialidade e nos jogos de palavras. A obra Evidência Concreta, feita de concreto a partir de um molde do míssil de 2003, questiona de uma forma marota o argumento americano para a invasão do Iraque.

Nessa obra ele resgata a historicidade do mosaico com uma referencia dupla: o Iraque como campo de guerra e Iraque [Mesopotamia] como berço da arte musiva e, consequentemente, local de sua destruição. Alem disso, ao produzir uma obra sem tesselas, ele evidencia o processo artistico, o que poderíamos chamar de um início à desmaterialização do mosaico.


Marcelo de Melo. Evidência Concreta, 2004. Concreto, 65 x 15 x 15 cm cada.

Enquanto resgate de uma historicidade musiva, encontramos na obra Corpo Musivo [Exposição Picassiette Prix 2004] uma conexão máxima com a iconografia religiosa: o mosaico revisitado ao mesmo tempo como arte sacra e como arte contemporânea. Este bolo disforme que é a obra vai além de questões simples e choca ao profanar a própria técnica e os materiais tão preciosos do mosaico. O smalti é usado como referencia a carne de Cristo e outras figuras religiosas amplamente retratadas em mosaico. Marcelo anuncia com esse trabalho que se Cristo voltasse agora, nasceria amorfo e semimorto.

Marcelo de Melo. Corpo Musivo, 2004. Smalti, cerâmica, vidro, tecido, gesso, látex, tinta acrílica e pentelhos, 50 x 16 x 17 cm.

Outra de suas pequenas tragédias, é a obra Sonhos Despedaçados de 2004. Também exposta em Chartres durante o Picassiette Prix de 2006, foi destaque na 143ª Exposição Anual do Instituto Real de Belas Artes de Glasgow, Escócia. O tema desta vez reflete sobre a vida turbulenta de um ícone, a princesa Diana. Se valendo de uma linguagem pop e retomando a ideia de ícones musivos, ele faz uma ligação irreverente entre questões sobre tradição, popularidade e modismos que são pertinentes tanto ao culto de celebridades quanto ao valor que atualmente é atribuído a certas técnicas artísticas. Notamos aqui uma conexão intrínseca entre o uso de materiais, a técnica e o tema abordado; sempre presente ao longo de sua produção.

Marcelo de Melo, Sonhos Despedaçados, 2004. Cerâmica e espuma expansiva, 15 x 16 x 32 cm.

Abaixo detalhes da obra Sonhos Despedaçados, com os dizeres: na placa: “de acordo com as normas de segurança” e no topo: “não se meta onde não é chamado”.


Em sua pesquisa musiva e iconográfica, Marcelo une mais uma vez tradição e a contemporaneidade na obra Relíquia. Apresentada na Rio Mosaico 2007, num momento em o Brasil passava por um debate turbulento sobre a segurança dos aeroportos e o espaço aéreo nacional, essa obra evidencia mais uma vez a posição do mosaico como técnica expressiva e sua inserção num debate contemporâneo amplo. Justapondo o crucifixo ao avião comercial, Marcelo pondera sobre conflitos religiosos, terrorismo, falhas tecnológicas e acima de tudo, a vulnerabilidade humana. Mistura ainda materiais duráveis como a cerâmica com materiais frágeis como os códigos de barra das etiquetas de segurança de aeroportos. Conceito e materialidade mais uma vez inseparáveis.


Marcelo de Melo, Relíquia, 2007. Azulejos, etiquetas de segurança de aeroportos, borracha látex, tinta de vitral, pregos e compensado, 30 x 21 cm.

Em busca de uma referência musiva não européia, Marcelo revisita na obra Respiro [2008] a tradição Asteca. Ponderando mais uma vez sobre a vulnerabilidade, ele produz uma peça que brinca com a ideia do último sobrevivente de uma grande catástrofe. Num futuro não muito distante, seus restos mortais são exumados com uma máscara funerária, um artefato que o teria mantido vivo por alguns dias ou horas a mais. Um ritual de sobrevivência que rapidamente se transformou em tragédia e lembrança de uma grandeza insignificante.

Marcelo de Melo, Respiro, 2008. Pastilhas de vidro, máscara de gás, gesso e tinta de vitral, 25 x 24 x 16 cm.

Com uma produção contínua de mais de 14 anos, Marcelo de Melo vem se destacando no cenário internacional dentro e fora do circuito musivo. Além de artista, é autor e reflete muito sobre a produção musiva atual sempre travando um diálogo amplo no cenário artístico contemporâneo. Com seu esforço, o mosaico tem sido apresentado lado a lado a outras técnicas mais respeitadas. É formado em Historia pela Universidade Federal do Paraná, Brasil e, recentemente, concluiu com distinção um mestrado em Artes Plásticas pela University for the Creative Arts em Canterbury, Inglaterra. Marcelo vive e trabalha em Amsterdã, na Holanda.

Selene e o pastor

Na mitologia grega, Selene (em grego antigo Σελήνη ) era a deusa da Lua, filha dos titãs Hiperion e Tía.

A deusa da Lua, Selene, coroada com uma lua crescente aproxima-se do pastor adormecido Endymion. Mosaico. Período: Império romano. Bardo Museum, Tunis, Tunisia. (more…)

Divindades de Roma Clássica II

A escultura romana em sua primeira manifestação, reproduz as obras gregas. E, em sua abordagem mitológica, simplesmente adotam os deuses gregos, traduzindo seus nomes para a língua latina.

Hermes Belvedere”, séc. I .

Cópia romana da estátua grega da Escola de Praxíteles, executada c. Séc 4 a.C. Museu Pio-Clementino. (more…)

Divindades de Roma Clássica I

Politeísta, o romano cultuava divindades dos caminhos, dos bosques, dos rios, do fogo.
O contato crescente com a civilização grega desenvolveu o pouco evidente antropomorfismo.

Estátua de um lar. (more…)

Concretismo

O Concretismo é um abstracionismo geométrico que procura, através de cores e linhas, um movimento perceptivo vibratório. O espectador, ao contemplar a obra, vai sentir certas vibrações e modificações perceptíveis nas imagens da composição.Traz semelhanças com o Suprematismo e o Construtivismo.

Max Bill. Harmonie der Saulen, 1979. Litografia. (more…)

Abstracionismo II – Suprematismo

O segundo movimento abstracionista foi o Suprematismo.

“…supremacia das sensações puras…”

Em 1913, o artista russo Kasimir Malevitch (1878-1935) busca racionalidade e reduz as formas à pureza geométrica do quadrado. A rigidez baseia as relações entre forma e cor.

Malevitch. Sem título. (more…)

Excelentes site sobre arte e escultura

Mestres da Escultura Mundial – http://www.scultura-italiana.com Site sobre a história da escultura italiana do período românico aos dias de hoje, com excelentes imagens. Apresenta tópicos sobre a escultura mundial, análise de obras e técnicas de escultura. Em italiano.

Praxíteles – Um Mestre – http://mini-site.louvre.fr/praxitele/index_flash_en.html Site da mostra organizada pelo Museu Louvre, que busca resgatar a obra do mestre da escultura antiga, Praxíteles. Em inglês.

Um Portal de Escultura – http://www.calga.it/ Este site disponibiliza aos visitantes, aulas de modelagem com fotos ilustrativas. Tornando-se membro da lista, é liberado o acesso aos demais tópicos: recursos temáticos, fórum, técnicas, estilos e curso base de escultura. Em italiano e inglês.

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