O Expressionismo - um primeiro olhar
Em 1904, em Dresden, Alemanha, artistas como Emile Nolde, Karl Schmidt Rottluf e Ernst Ludwig-Kircher reuniram-se formando o grupo “Die Brucke”, (A ponte). Seu objetivo era trabalhar sua angústia diante do destino do homem. “Die Brucke” tem esta meta : construir uma ligação entre o visível e o invisível.
Karl Schmidt-Rottluf. Auto-retrato.
Passado algum tempo, os representantes dessa pintura dramática uniram-se ao Blaue Reiter(Cavaleiro Azul), grupo de tendência abstracionista, que grande influência teria na pintura contemporânea.
Se o “Die Brucke” representava uma atitude germânica, o Blaue Reiter era internacionalista.
No expressionismo, o artista buscava a deformação dos objetos naturais, transformando-os em caricaturas. O valor representativo que, até então, caracterizava a paisagem e a figura humana, desaparece. São valores emotivos registrados por sua sensibilidade.
O pintor expressionista repudia a formação técnica, sendo dono de grande originalidade no domínio do claro-escuro.
O artista transmite sua angústia e também do seu grupo social, criticando a exploração do homem pelo homem e todas suas misérias. No Brasil, Cândido Portinari denuncia a triste condição humana da população nordestina.

O movimento expressionista desenvolveu-se principalmente em países nórdicos: Noruega, Suécia e Dinamarca e, na Alemanha e Holanda,onde o misticismo e o temperamento visionário caracterizam o povo.
A objetividade do povo latino e sua preocupação plástica e visual não ofereceram um meio tão propício ao desenvolvimento do Expressionismo.
A grande inspiração deste movimento foi a obra de Vincent Van Gogh, que se divide em : fase holandesa (1880- 1886) e fase francesa (1886- 1890).
Na fase holandesa, sua temática é social. No seu trabalho predominam o marrom e os tons escuros. Representa muito bem esta fase o quadro “Comedores de batatas”.
Na fase francesa, de temas visuais deformados, Van Gogh usa cores claras. Nota-se a influência de Seurat através do Divisionismo. Sua obra torna-se aos poucos mais expressiva através do movimento marcado pelas suas pinceladas., como observamos em “Noite Estrelada” e “Auto-Retrato”.
Do grupo Die Brucke, o artista Emile Nolde(1867-1955) é o que alcança maior reconhecimento. Sua temática é religiosa, por vezes explora a mitologia germânica, em outras temas bíblicos. Incursiona até criações de motivos panteístas.
Emile Nolde. Cristo, xilo.
Como Gauguin, Nolde procurou um lugar exótico para viver. Viajou muito, chegando à Nova Guiné.
No grupo Blaue Reiter, o maior representante é Franz Marc (1880- 1916). Seu “Cavalos Azuis” caracteriza bem o movimento. Animais e paisagem integram uma mesma movimentação rítmica, alcançada por linhas suaves e fluidas(“Cabrito Montês”) ou cubos angulares(”Tigre”).
De influência futurista, usa cores alegres e iluminadas.
Franz Marc. Cavalos azúis.
O norueguês Edward Munch foi um dos maiores pintores expressionistas, influenciado pelo naturalismo de Christian Krog e pelo realismo debochado de Toulouse-Lautrec.
A obra de maior reconhecimento de Munch é a gravura “O Grito”: do rosto de um homem ondas de cor que se expandem de forma concêntrica imprimem a angústia e o desespero que são característicos em sua criação.

Seu domínio da técnica é demonstrado na temática histórica, como “A morte de Marat”.
Podemos observar que o movimento expressionista traz uma forte carga de rejeição.
Rejeição ao Impressionismo, ao princípio de retratar a natureza ou de criar a ilusão de realidade. Rejeição às belas cores e formas.
Van Gogh foi deveras valorizado em razão de sua pintura projetar sensações e percepções diante da angústia e sofrimento.
E, se o Impressionismo trouxe a semente da corrente expressionista, ao não aceitar ser uma descrição da realidade, agora a tendência de destruir a forma é assumida e, mesmo com a natureza, a atitude é violá-la.
(Véra Oliveira)


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Agradecemos à visita de todos.
OBRIGADA POR ESSAS OBRAS MARAVILHOSAS!!!